terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Retalhos

Hoje acordei cedo, levantei tomei um banho demorado enquanto pensava se você já teria respondido o que te perguntei, se teria me dado o último retalho da tua personalidade confusa, ou apenas havia me deixado mais intrigada a seu respeito. Não havia questionado algo difícil de ser respondido, mas também sei que as vezes pergunto coisas complicadas para quem vive querendo parecer ser o que não é.

 

Curiosa liguei o computador, e para disparar do meu coração estava lá a sua resposta, curta e cruel como sempre, o retalho final, a certeza de que o alguém a quem amei era apenas uma fantasia minha, uma imagem perfeita de alguém apaixonado. As lágrimas foram inevitáveis, e para surpresa minha, eu, que jurei nunca mais derramar por você um sopro de sentimento, estava aos prantos. Não conseguia parar, por mais esforço que fizesse... Desliguei de subito o aparelho, me joguei na cama e tentei sufocar o peito dilacerado.

 

Como dói remontar feridas em cicatrizes antigas, mas eu tinha que perguntar, ou morreria na dúvida de suas palavras confusas, de suas declarações de um amor que nunca existiu em você, precisava da certeza para seguir minha vida, fechar esse ciclo e partir para uma página nova, um novo amor, quem sabe? Tudo é possivél quando se está livre, leve. Disponível. 

 

O que sei, é que mais uma vez você se mostrou incapaz de cuidar de mim, de ter qualquer tipo de sentimento, provou o quanto é seco e sem amor, lamentei ter um dia atravesado  a calçada e ido ao teu encontro... Retalhos, lembraças espalhadas, é o que resta de um sentimento tão puro que alimentei por ti.

 

Vou seguir descalça, leve, sem culpa... vou me aventurar errante por aí, e se eu quebrar  a cara não finja que se importa, não precisa. Eu sei bem cuidar de mim. Você foi lição suficiente.
imagem do blog "Reflexões que não levam  a lugar nenhum."