sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pense bem...

Meu nome é Lua Clara, tenho 23 anos, estudante universitária, artista apaixonada pelo que faz e descobrir a quatro semanas que tenho um câncer, você deve estar se perguntando:
-"E o que eu tenho com isso?"
Talvez de imediato nada, mas se você vive reclamando de tudo ou pelo menos não está contente com sua vida, ou ainda acha que o seu problema é o maior do mundo, então temos que conversar um pouco.


Eu também já fui assim...

Nasci prematura e por causa disso tive problemas respiratórios até os cinco anos de idade, passei maior parte da minha infância em um hospital, mas nunca deixei de ser uma criança levada e super sapeca, tenho até hoje cicatrizes das minhas aventuras, em especial tenho uma no queixo - um pequeno circulo, causado por um galho que atravessou até minha gengiva - costumo dizer que foi o meu primeiro piercing, e me divirto ao relembrar muitas travessuras... aos dez anos sofri um acidente de carro e fiquei inconsciente por dois dias, quebrei o braço em vários lugares, mas logo me recuperei.

Com onze anos descobri um tumor na face, era benigno e pode ser operado, mas fiquei cega por seis meses, tudo era estranho e extremamente assustador, depender de todos para tudo, inclusive para comer me irritava. Frescura? Experimente fechar os olhos e levar o garfo do prato até a boca...
Depois disso pensei que essa seri a última vez que passaria mais de uma noite em um hospital, até que machuquei as minhas costas no trapézio... ainda uso uma proteção, de vez em quando quando dói muito ou tenho consulta com o ortopedista, aquilo esquenta de mais.


Você agora deve estar dizendo que sou frágil ou quase podre, mas saiba que nada disso me abalou tanto quanto a morte prematura do meu pai e do meu noivo, essas perdas somadas a de amigos e de minhas avós são as cicatrizes que mais atormentam minha alma, porque não tem cura, nem tratamento, essas pessoas não vão voltar, e o que mais me dói é que enquanto eu me lamentava por probleminhas solucionáveis deixe passar a oportunidade de curtir ao máximo a presença delas na minha vida, deixei de dizer o quanto as amava, quão importantes eram para mim...


Hoje depois do diagnóstico, da certeza que tenho um câncer, não olhei pro céu e perguntei a Deus o porque isso comigo, ao contrario agradeci a oportunidade de crescer diante dessa provação, pelo menos já vivi muitas coisa -existem crianças que nasceram com essa doença e nunca viram nada além das paredes desse hospital - conheci pessoas e lugares maravilhosos, amei e fui amada, odiei e fui odiada, perdoei e fui perdoada, cresci...


Tenho Amigos maravilhosos e que ficaram furiosos em saber disso através desse e-mail, mas foi a melhor forma que encontrei de dizer-lhes: 'estou bem, já aceitei e estou fazendo a quimioterapia, agora depende de Deus o resto... Orem por mim. Amo todos vocês, e não lamentem, repensem o que estão fazendo de suas vidas antes que seja tarde... 
Beijos a todos
Paz e Bem!!
 


19 de fevereiro de 2011...


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dentro de minha suposta vida...

Faz tempo que não venho aqui, aliás não tenho indo a lugar algum...

 

Esse estado de interiorização, que há dias me tem tomado todo o tempo, me fez sucumbir a um espaço tão vasto dentro de meu ser, que nem eu me sabia existir. Nem sempre são lugares claros e bonitos, na verdade a maioria é bem feio e escuro.

Não caí garganta a dentro à procura de nada, somente quis me esconder, fugir de toda essa agonia que se alastra desenfreada fora de meu controle, esta díficil seguarar as rédias da vida, principalmente quando todos resolveram se tornar donos dela, da minha suposta vida. cada um se acha com mais direito de opinar e resolver, virei instituição pública e nem sabia.

Cada um fala e resolve coforme seu espeto, e eu preciso suprir a todos as necessidades, como se a minha suposta vida lhes fosse propriedade, como se lhes fosse um amoleto, ou mesmo privada, sim para uns penso que não passo de privada, eu e minha suposta vida, somos as receptoras  de toda bosta fétida, e todas a excreção que seus corpos são capazes de fornecer.

E por que não reajo? 

Ora, reaji joguei-me de garganta a dentro, sucumbi no mais profundo subsolo da minha suposta vida, e foi justamente ali no emaranhado de poracarias e sapos que já me fizeram engoli que percebi: nunca vivi por mim mesma, minha suposta vida fora sempre em função de outros, para salvar, cuidar, curar, formar, alimentar, afagar, amar, ensinar sobre a vida que eu nunca pude viver...

A minha suposta vida, nunca foi minha de verdade... E eu cansei disso, estou retomando as rédias da minha vida, e quem quieser opinar vai ver se eu estou na equina!