domingo, 24 de julho de 2011

Atitude!!

TEXTO FEITO EM  CONJUNTO POR PROFESSOR E ALUNA ACERCA DO QUE PRECISAMOS PARA EVOLUIR: ATITUDE!
 
“De uma gente que ri quando deve chorar, e não vive, apenas aguenta...”
(Milton Nascimento  e Fernando Brant, na música “Maria, Maria”)
 
“Bem-aventurados sejam aqueles que amam esta desordem/ Nós viemos a reboque/ Este mundo é um grande choque/ Mas não somos deste imundo/ De cidades em torrente/ De pessoas em corrente...”
(Álvaro, Bruno, Coelho,, Miguel e Sheik – Biquini Cavadão – na música “Múmias”)

  Estamos aqui nesse mundo para evoluir, concorda? Mas será isso ainda possível, numa sociedade condenada ao visual, em que só o que importa é a superficialidade? Temos tempo ainda para pensar, analisar e refletir? É possível evoluir sem isso?

  Aos alunos e amigos que vivem nos perguntando de onde sai tanta inspiração para escrever os nossos textos, tantas ideias, vivemos cantando um trecho de uma música da banda de rock Titãs: “As ideias estão no chão, você tropeça e acha a solução”. E dizendo isso, um deles completou com esta pérola de uma dessas duplas breganejas aí: “Nóis trupica, mas não cai!” Pois é... Como diz o cantor norte-americano James Taylor: “O segredo da vida é desfrutar o tempo que está a passar”. E o tempo não para, amigo/a, portanto, viva intensamente, mesmo que se arrependa depois. O escritor Luis Fernando Verissimo, numa entrevista disse que “a gente se arrepende, de um jeito ou de outro, do que fez, do que não fez ou do que poderia ter feito melhor.” Mas enfim, importa o que estamos fazendo agora! Estamos evoluindo? Por que viver remoendo o passado? Porque não seguimos esse conselho do filósofo inglês Bertrand Russell: “Por que cometer erros antigos se há tantos erros novos para escolher?”

  É tão fácil reclamar de tudo, difícil é ir em busca de soluções... Reflexão e ação: são o que falta na vida de muitas pessoas. Nos acostumamos com a inércia, a ser sempre o coitado, pois é mais seguro. Corremos menos riscos de sermos frustrados, de apostar e  estar errado... Não queremos sentir dor, pois tudo é muito amargo! O melhor mesmo é não arriscar. Será essa a melhor atitude? Ter compromisso é isso?

  Publicamos, certa vez, num informativo, esse poeminha, de um autor ignorado: “O que temo é a acomodação de ideias e ideais/ De buscas e encontros/ A persistência pelo tradicional e a preguiça de inovar.” A grande maioria de nós, jovens, vive reclamando da falta de espaço, sem voz. Vivemos impotentes e à espera de uma oportunidade para desabafar. Mas agora chegou a nossa vez! A nossa hora!

  É preciso ser contra, ir de encontro a esse sistema social excludente. Vivemos numa democracia, mas um dos pressupostos para a vida democrática é a cidadania, e cidadania significa ser radicalmente democrático. Algumas pessoas não gostam da palavra radical, mas radical deriva de raiz. A ideia é: tomar as coisas pela razi, se apoderar do conhecimento, agindo com consciência em tudo aquilo que se faz. É preciso ter vontade! Reflitamos no que escreveu o Augusto Cury: “A maioria dos estudantes ficam vinte anos da pré-escola à pós-graduação sem nunca ter construído uma ideia própria, sem ter suas próprias opiniões e sem ter coragem de pensar diferentemente de seus pares. Criticamos a juventude alemã seduzida por Hitler na primeira metade do século XX a cometer atrocidades contra minorias como judeus, ciganos e homossexuais, mas não temos consciência de que o sistema social está silenciando a juventude mundial neste século.”
 
É preciso ter atitude! É preciso protestar, ir de encontro ao assassinato, à morte da nossa cultura – se é que ainda a temos... Então, a primeira regra seria: nunca votar num idiota, pois outros podem ter a mesma ideia, aí... Vamos à luta! Chegou a nossa hora! Vamos descruzar os braços, vamos nos mobilizar, tomar as ruas, praças, os prédios e as mentes com nossas reivindicações! É como lembrou o saudoso Chico Science uma vez, “eu me organizando, posso desorganizar!”, entende? E nós concordamos também com o filósofo italiano Antonio Gramsci: “Existem duas coisas que odeio nas pessoas: a indiferença e a preguiça.”

  O ser humano pertence ao sistema. Sem identidade e sem documentos, não é possível viver nessa sociedade capitalista. O filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau dizia que o homem nasce bom, e a sociedade o corrompia. Nos dias de hoje, Rousseau precisaria de fato corrigir o seu lema: o homem nasce com seus insitintos, e a sociedade o educa ou aprisiona. O ser humano se tornou predador de si mesmo. Como disse a nossa colega Milene Barbosa, por e-mail: “Por querermos estar sempre certos de tudo, nos faz parar para refletir, e verificarmos que não estamos tão certos assim...” Com certeza seremos mais felizes a partir do momento que oferecermos a “cara para bater!” Encarar os medos sem preconceitos, afinal os “prés” frustram os “prós” e isso é tudo o que não queremos, se realmente desejamos mudar alguma coisa na história do nosso país! Você pode escolher quem quer ser hoje: se o coitado ou aquele que foi à luta. E se não conseguiu mudar alguma coisa, pelo menos tentou, e não ficou aí parado “bobo olhando, batendo palma pro diabo!” ou “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”, como diz o Raul naquela música famosa.

Lembre-se: atitude é tudo!! Nós estamos partindo para a luta!! E você, não sabe por onde começar? Que tal votando direito? 
 

REFERÊNCIAS

CURY, Augusto. O vendedor de sonhos e a revolução dos anônimos. – são Paulo: Editora Academia de Inteligência, 2009.

(Márcio Melo e Noemy Mel - professor de História do Brasil e aluna na Faculdade Cenecista de Senhor do Bonfim – Bahia, maio/2010)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Etiquetas a mostra


Etiquetas a mostra!!



[...] E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade, [...]Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade

Fui convidada por um grupo do colegiado de história da Facesb, do qual também faço parte, mas de uma outra turma, para ministrar uma oficina intitulada Estilo Afro, o grupo deixou claro que a intenção da citada oficina era falar de uma forma de moda alternativa, voltada diretamente para identidade afro não para os lançamentos da mídia.Confesso minha surpresa diante do pedido, já ministrei em vários lugares oficinas de moda, nas quais o que realmente acontecia não passava de um desfile ridículo, do qual também participava, de uma moda que não era minha, nem de ninguém alí presente, na verdade pouco ou nada tinha haver com a verdadeira identidade de cada um.

Nos deixamos levar por ela a mídia,mãe dos desolados sem capacidade de escolher se quer a cor que vai usar nesse verão, porque ainda não viu na TV o anuncio confortador dizendo que sua camiseta azul do ano passado vai estar em alta nesse também,claro que com alguns detalhes mais arrojados, umas firulas a mais, e é aí que começa a verdadeira lavagem cerebral, você fica eufórico, quer aquela bendita camiseta, que em média vai custar uns 100,00 R$. E tudo isso porque a TV disse que a sua esta fora de moda... E assim como Drummond relata em 'Eu etiqueta' nos vemos numa situação na qual, não somos um anúncio contratado, mas pagamos mimosamente para anunciar, para vender usando nosso próprio corpo.

Nossa identidade é corrompida por uma neorupropaganda, muito bem elaborada, gasta-se bilhões em propaganda, nosso cérebro é bombardeado todos os dias por  um choque do marketing chamado CVBA - caracteristica, vantagem, beneficio, atração - essa técnica consiste em fomenta o mercado de venda de produtos, mas principalmente o da moda, já que a cada estação uma nova etiqueta é lançada, as estratégias de venda devem convencer o cliente que ele precisa ter a nova peça em seu guarda roupas.

Para tal, é preciso que o enunciado da propaganda ou merchandising apresente as características do produto da forma mais clara possível, evidenciando a beleza e importância do mesmo par o cootidiano, as vantagens que o ser humano pode ter ao adquirir tal produto geralmente buscam demonstrar o poder exercido pelo mesmo em facilitar a vida sexual ou monetária do individuo o colocando logo dentro de um contexto social almejado por muitos. O que logo é visto como benefícios, afinal todos querem parecer mais atraentes e bem sucedidos e por fim e não menos importante a atração...

O corpo é o responsável por esse tipo de propaganda ou merchan, por exemplo, na propaganda de cerveja sempre tem uma gostosona que da bola pro cara da gelada, na de carros, como 80% de seu consumidores são homens entre 19 e 45 anos, o garoto propaganda, sempre tratado como herói, consegue enfrentar os maiores desafios com o seu automóvel...Nas de roupas ou calçados da estação os personagens sempre vivem uma história picante, na qual o que mais importa é o fato de que estando na moda, todo mundo tem "pegada" - essa marca por sinal tem uma das neoropropagandas mais bem feitas da telinha, no caso da moda.

E no fim de tudo, pagamos pela propaganda na telinha, mas principalmente para mantermos as etiquetas a mostra, para não nos sentirmos desolados no meio de uma sociedade que diz ser correto, bonito e só o que dita a propaganda... Ah e se admitimos que nosso cabelo é Crespo assumimos nossa identidade, para ser aceito tem que alguém aparecer na aceitavélmídia usando cabelo de crioulo...

Chega de hipocrisia!

Sou negra, com orgulho da minha raça,

Adoro as batas de santo

Me visto pros orixas!

Deixo meu cabelo crioulo o vento experimenta

Me enfeito com as conchas do mar...

Gingo no samba... Me embalo na rede

Tenho na pele o cheiro do jasminseiro dedicado a

Yemanjá...


Chico

Passei os últimos dias remoendo uma dúvida, a final de contas, por que todo Francisco é carinhosamente chamado de Chico?
Perguntei para várias pessoas e recebi as respostas mais variadas:
" ah é porque Francisco é muito longo"
"Chico é mais fácil de lembrar"
"é a mania de abreviar tudo do brasileiro!"
Mas nenhuma dessas  era a resposta que eu buscava, até que num dia exaustivo de reuniões, surgiu um alguém que esclareceu um pouco a minha dúvida cruel, ele disse que o nome Francisco quando falado por espanhóis tem um som parecido,  na terminação Cisco, com algo muito próximo de Chico, pois bem pensei ter chegado finalmente ao fim de meu dilema, parti para uma pesquisa mais profunda e encontrei algumas coisas bem interessantes. Tudo começa com a origem do nome Francisco, na Idade Média, os povos francos que ocupavam  logicamente a França, que na época derivava entre Franzia  e  Franza, designando assim os franzense, franzese,franzinus, franziscus, franzesco, francesco. Assumido como nome próprio, se difundiu graças ao prestígio de Francesco d’Assisi [1182- 1226]. Deste nome próprio surgem vários encurtamentos, de cunho popular e coloquial, sendo mais frequentes Cecco, Cesco, Checco, que correspondem ao português Chico. Patronímico, o sobrenome se fixa com a expressão medieval figlio de Ser Francesco detto Cecco (filho do senhor Francesco dito Cecco).
"
Entende-se pôr patronímico (do grego patronymykós), relativo a (ou que indica), o nome do pai. Vem de "Patronymykós", composto de " Pater", pai + "onima", nome (Nome do pai)." ou seja uma variação do nome paterno , ou de antepassado paterno, de forma que Chico vem do patronímico "filho do Chico", mas se partirmos para o espanhol obtemos mais um acréscimo a resposta, Chico significa "garoto", pequeno", e há ainda a teoria que seja resquícios da lendária família de mouros Boabdil el Chico, no entanto não há comprovação se são só uma lenda ou se realmente existiram.




 

Sem medir palavras...

Minha alma está rasgada...
Grito desesperada, mas não há ninguém para ouvir,
Passei horas aqui trancada nesse quarto feroz,
Enquanto isso...As paredes são pintadas de vermelho.
Meu coração já não bombeia sangue, mas delgado soro de  lágrimas doloridas... Não sei porque você me enganou todo esse tempo, diz... O que te fiz??

Te ofertei o melhor de mim, todo o meu amor, a minha carne...
Nada disso te valeu, rasgaste minha alma... Mataste meu coração...
Não, não me diga que preciso te perdoar
Não me fales em compaixão,
Tu não sabes o que é isto, 
Não tens coração!!

O artesão e o aprendiz

Um velho artesão, que trabalhavam com esculturas recortadas em papel, resolveu passar sua arte para um jovem aprendiz, suas peças eram muito valiosas e a forma que cada uma trazia era rica em pequenos detalhes que só poderiam ser percebidos se olhados bem de perto.
Entregou ao jovem uma forma de madeira, uma tesoura e um maço de papeis coloridos.
Depois lhe disse que deveria colocar a forma sobre o monte de papeis e então recontar as peças, todas de uma vez, para só então celessionar as que iria enriquecer com algum detalhe, mas sem afetar sua forma original.

O jovem achou que o trabalho seria fácil. Fez logo os cortes com o molde, mas notou que muitas peças tinham arestas que precisavam ser podadas e empregou o seu tempo em tentar acertar ao máximo os pequenos defeitos que lhe incomodavam, não notava o jovem que ao fazê-lo destruía a originalidade das peças e acabava impondo uma forma totalmente diferente da que cada uma realmente era, sem perceber o pobre que na verdade quem precisava mudar era ele. Ao fim do dia sentia-se frustrado por não ter uma arte ao seu agrado e também por ter disperdissado tanto tempo com detalhes tão ínfimos.

Ao relatar para seu mestre o que tinha feito o velho sorriu e disse:
- Todos cometemos esse erro em algum momento de nossas vidas, sempre  queremos mudar algo que já nos vem pronto, queremos ajustar tudo ao nosso jeito, meio e pensamento, sem perceber impomos o nosso "eu" diante, muitas vezes, do outro que amamos e acabamos por magoar, ferir sem remédio... Ou mesmo afastar de vez. Causamos cicatrizes tão profundas que fica complicado, até para os mais fortes se reencontrarem, impomos de tal maneira nossa presença que o "eu" do outro se torna uma aresta a ser podada e no fim temos um marionete desingonsado e sem valor, sem vontades próprias, totalmente nulo.  





22/07/11 Noemy Reis

Novos vizinhos.

Só queria repousar meu corpo cansado na rede, mas o danado do moleque havia retirado do lugar de costume...
Saí louca atrás do pestinha, queria minha rede no lugar , precisava repousar depois de tanto trabalho:
- Ora onde está esse garoto, se pego arranco-lhe o coro!
Caminhei bastante pelo terreiro até que resolvi descer ao pomar. Lá estava minha rede armada entre  dois pés de manga, mas nem sinal do moleque...
Peguei minha rede furiosa e fui armá-la lá onde sempre costumava ficar, no alpendre com vista para o pôr do sol lindo, bem lá na Serra do Espinhaço...
Depois de toda a trabalheira deite-me na rede para o tão sonhado descanso... Tal foi o meu espanto ao sentir uma picadinha de formiga nas costas, levantei- me num pulo, sacudindo a roupa desesperada.  As danadas já haviam tomado todo meu corpo, e me picavam com tamanha vontade, que suponho, estavam  amuito famintas.
Sacudi tanto e nada, lancei mão então de um balde com  água e o derramei na cabeça, para que molhasse todo o corpo.
Surgiu então o moleque com uma manga madura e cara toda lambuzada..
- Oxi! E o que é que essa rede tá fazendo aqui?
Pois num viu que coloquei no pomar justamente porque aí, bem nesse cantinho, está morando uma nova família?
Vamo sinhá dê boas vindas aos vizinhos... 
- Ah moleque atrevido... Se te pego...
 Não aguentei e cair na risada, enquanto ele com o caroço de manga na boca me olhava com os olhos esbugalhados...