terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Janela aberta...

E do meu refugio feroz, ouvi o barulho do vento a bater na vidraça da janela, mais uma vez, no entanto tinha uma insistência maior desta, parecia querer entra. Levantei da cama e dei dois passos trêmulos em direção a janela. Parei... Estava chovendo, não uma chuva comum, havia qualquer coisa de luz naquela, um pouco de magia, algo que me chamava para fora...

Faz tanto tempo que não saio deste quarto escuro... Me aproximei da janela, e a luz me fez recuar, a claridade feria-me os olhos de fera acuada, a muito, em seu esconderijo negro e profundo. A porta e as janelas estão fechadas desde o último golpe sofrido, a luz nunca mais foi vista, desde a última visita, e isto faz muito tempo, só as feridas não perceberam isto... Só  a dor continua aqui sem se despedir.

É estranho, mas a janela me chamava, mesmo sangrando quis tentar, poderia ser minha única chance de sair deste inferno sem luz... Então num impulso, quase que involuntário, abri  a janela, o vento entrou tão voraz, me despindo, a chuva molhava meu corpo, cair de tão fraca, mas me deixei ser abraçada por aquela sensação de liberdade, de paixão, de amor...

Não sei ao certo por quanto tempo fiquei alí no chão, totalmente entregue ao vento, mas desde então a janela tem estado aberta, já não fico só na cama e a dor já não mora comigo, tem apenas  me visitado as vezes, pra cutucar uma ferida ou outra mal cicatrizada, mas suas visitas tem sido cada vez menos frequentes... Espero um dia que a carícia do vento me encoraje a também abrir a porta e ir a seu encontro...