domingo, 23 de fevereiro de 2014
Dias de outono
Tenho passado por tantas coisas, que nem sei mais onde me encontro, não tenho tido tempo para respirar e falar comigo, me observar, me compreender, entender minhas decisões, meus medos, minhas necessidades mais urgentes. Tenho me perdido, como se nunca tivesse me encontrado...
É, caro Augusto dos Anjos, talvez seja por não querer me tornar como o resto que me cerca, por querer desesperadamente preservar a minha humanidade que recuo e permaneço dentro deste meu mundo tão menos frio e calculista. As pessoas, pelo menos maioria que tenho conhecido, tornam-se cada dia mais caçadoras de oportunidades lucrativas, é um terrível jogo de interesses, onde se oferece "amor" em troca de muito ouro. "Ouro de tolo" como diria Raul...
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Bagagens...
Andei me perguntando: "bagagens são realmente necessárias?" não falo de conhecimentos ou mala para viagem, falo de lembranças... E se querem saber, penso na real, que não precisamos levar tantas coisas, tantos retalhos, tantos recortes, tantas lembranças... Quem muito lembra pouco faz e muito sofre.
Foi pensando sobre essas coisas que notei, há certo tempo, que as pessoas, nós em geral, digo isto porque também me incluo neste processo, guardamos bagagens de mais, nos entulhamos de lembranças, guardamos em caixas, cadernos, álbuns, livros com poemas marcados, rabiscos em agendas, flores secas, todas as nossas recordações, todos os momentos que nos marcaram... E fazemos isso como se não guardássemos também na memória.
Somos tão apegados a nossa história que precisamos de uma matéria concreta, palpável para termos a certeza que nunca, em tempo algum, vamos esquecer aquilo que nos aconteceu e nos marcou. Não queremos largar o passado, mas planejamos o futuro como se fossemos magos capazes de traçar e prever tudo que irá nos acontecer, e em todo esse processo esquecemos o fundamental: viver o presente, contemplar o agora como se fosse o ultimo segundo de respiração disponível - o que realmente acontecerá em breve se continuarmos a poluir o planeta- esquecemos de contemplar o que a vida nos oferece agora, para choramos pelo que não fizemos, quando hoje for passado.
Agora te pergunto: para que fuzilar teu agora planejando um amanhã que talvez não chegue, remoendo um passado que não há quem mude?
Faz algum sentido para você? Porque para mim não faz nenhum. Mas não espere que depois de ler você terá uma subta coragem de rasgar as cartas, jogar fora toda a tranqueira guardada por anos, não. Você sentará com elas e lembrará e dirá a si mesmo que não tem coragem de se desfazer de sua história... Mas você não precisa acabar com tudo, só precisa fechar o ciclo, deixar o passado para trás e viver o teu agora. Lembre-se:planta-se hoje para colher amanhã.
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