domingo, 23 de fevereiro de 2014

Dias de outono

Tenho passado por tantas coisas, que nem sei mais onde me encontro, não tenho tido tempo para respirar e falar comigo, me observar, me compreender, entender minhas decisões, meus medos, minhas necessidades mais urgentes. Tenho me perdido, como se nunca tivesse me encontrado...
Sabe aquele lugar especial onde você vai, senta, olha o horizonte, respira fundo e conversa por horas com seu interior? 


Faz é dias que não sei onde fica isso, em pleno verão vivo dias de outono, trancada dentro do meu interior sem sair nem para cumprimentar o próprio reflexo no espelho. Não sei o que me prende, talvez seja o medo de ver que tudo aqui fora mudou de figura, já não sou hóspede de uma vida fácil no conforto do berço familiar,  mas estou guia de meu próprio caminho no mundo, lançada as feras e como diz o poeta:


 "O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera."

É, caro Augusto dos Anjos, talvez seja por não querer me tornar como o resto que me cerca, por querer desesperadamente preservar a minha humanidade que recuo e permaneço dentro deste meu mundo tão menos frio e calculista. As pessoas, pelo menos maioria que tenho conhecido, tornam-se cada dia mais caçadoras de oportunidades lucrativas, é um terrível jogo de interesses, onde se oferece "amor" em troca de muito ouro. "Ouro de tolo" como diria Raul...
Se alguém paga para ter outrem ao seu lado, pior se a pessoa recebe, aceita ser, digamos, "remunerada", recompensada materialmente para doar o que deveria ser gratuito entre as partes, na minha concepção tudo isso nada mais é do que um engodo, um total e desleal embuste, não chamo nem de falta de caráter, é falta de respeito próprio mesmo... E é por não ser capaz de tal, de me negativar, de usar outro como escada para alcançar meus objetivos, que vivo dias de outono em pleno verão...
Me escondo dos raios deste sol tão doente, desta ofuscante luz "do ouro de tolo", porque não sou fera, não sei ser fera, nem penso que preciso ser para chegar onde quero, posso até levar mais tempo que quem cavalga nas costas de quem tem mais grana para lhe bancar, mas chegarei de cabeça erguida, sem ter me vendido, manipulado, devorado, consumido, usado e abusado dos sentimentos ou montante de quem quer que seja.       




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Bagagens...

Andei me perguntando: "bagagens são realmente necessárias?" não falo de conhecimentos ou mala para viagem, falo de lembranças... E se querem saber, penso na real, que não precisamos levar tantas coisas, tantos retalhos, tantos recortes, tantas lembranças... Quem muito lembra pouco faz e muito sofre.

Foi pensando sobre essas coisas que notei, há certo tempo, que as pessoas, nós em geral, digo isto porque também me incluo neste processo, guardamos bagagens de mais, nos entulhamos de lembranças, guardamos em caixas, cadernos, álbuns, livros com poemas marcados, rabiscos em agendas, flores secas, todas as nossas recordações, todos os momentos que nos marcaram... E fazemos isso como se não guardássemos também na memória.
Somos tão apegados a nossa história que precisamos de uma matéria concreta, palpável para termos a certeza que nunca, em tempo algum, vamos esquecer aquilo que nos aconteceu e nos marcou. Não queremos largar o passado, mas planejamos o futuro como se fossemos magos capazes de traçar e prever tudo que irá nos acontecer, e em todo esse processo esquecemos o fundamental: viver o presente, contemplar o agora como se fosse o ultimo segundo de respiração disponível - o que realmente acontecerá em breve se continuarmos a poluir o planeta- esquecemos de contemplar o que a vida nos oferece agora, para choramos pelo que não fizemos, quando hoje for passado.
Agora te pergunto: para que fuzilar teu agora planejando um amanhã que talvez não chegue, remoendo um passado que não há quem mude?
Faz algum sentido para você? Porque para mim não faz nenhum. Mas não espere que depois de ler você terá uma subta coragem de rasgar as cartas, jogar fora toda a tranqueira guardada por anos, não. Você sentará com elas e lembrará e dirá a si mesmo que não tem coragem de se desfazer de sua história... Mas você não precisa acabar com tudo, só precisa fechar o ciclo, deixar o passado para trás e viver o teu agora. Lembre-se:planta-se hoje para colher amanhã.