"Estamos indo de volta para casa..."
Quem dera me fosse possível, mas já não sei nem onde é meu lar, de tanto vai e vem, me perdir na estrada...
E quando não se sabe para onde estar indo, qualquer lugar é bom, mas cansa rápido, perde a graça.
O encanto imediato pode até saciar o coração turista, mas míngua ao alvorecer.
Tardo decaída, numa dedicação morimbunda a tandos que nem percebem meu afago.
E há os que me chamam acomodada, mas nenhum toma o cálice da minha vida, nem tem que sacrificar sorrisos, sufocar gritos, guardar a dor no bolso e cuidar das chagas expostas dos amigos que não são capazes de se reerguer sozinhos...
Talvez seja esse meu lar, a incerta caminhada em prol da cura do outro, e nesse transitar me deixo curar pela ferida do outro que estanco, e me deixo morar nesse espaço pequeno que se abre nos corações, e vou me dando aos poucos, me mantendo viva neles, para não morrer em mim...