quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Antes... Depois... Sempre Você.

"Antes... não pensava em você
Agora... tudo é uma lembrança sua
Nunca... me preocupei, com você
Hoje... já não faço outra coisa
Não me lembro como eu era antes de você
Não me lembro como eu era antes de você
Tudo passa, a noite deve passar também
Não me lembro como eu era antes de você
Não pensava em você...
Não me lembro como eu era antes de você
Não saio mais...
Não me lembro como eu era antes de você
"


Foi tudo assim aos poucos, essa sua invasão em mim, esse seu "apossamento" dos meus pensamentos, sentimentos...

E quando percebi só havia você em mim, como uma louca droga a embreagar-me

Deleitei-me no teu prazer, fui tua e pensei que você fosse só meu... 

Doce ilusão.

Você é fera solta, não é de ninguém, não se prende  a nada...

E essa doença tomou conta de mim, fiquei frágil, dependente...

Abandonada!

"Não me lembro como eu era antes de você", vago perdida pelas ruas arrastando correntes como alma penada, sem paz... Não suporto mais, não aguento mais viver dentro desse sentimento/prisão, queria rasgar o peito e expulsar de mim esse sentimento.

Preciso esquecer você e lembrar de mim. 

 


  

Lar doce lar

"Estamos indo de volta para casa..."

Quem dera me fosse possível, mas já não sei nem onde é meu lar, de tanto vai e vem, me perdir na estrada...
E quando não se sabe para onde estar indo,  qualquer lugar é bom, mas cansa rápido, perde  a graça.
O encanto imediato pode até saciar o coração turista, mas míngua ao alvorecer.
Tardo decaída, numa dedicação morimbunda a tandos que nem percebem meu afago.
E há os que me chamam acomodada, mas nenhum toma o cálice da minha vida, nem tem que sacrificar sorrisos, sufocar gritos, guardar a dor no bolso e cuidar das chagas expostas dos amigos que não são capazes de se reerguer sozinhos...
Talvez seja esse meu lar, a incerta caminhada em prol da cura do outro, e nesse transitar me deixo curar pela ferida do outro que estanco, e me deixo morar nesse espaço pequeno que se abre nos corações, e vou me dando aos poucos, me mantendo viva neles, para não morrer em mim...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Angústia


E tenho tentado seguir leve, sem ferir os outros com a minha frieza, nem chamar a atenção para meu degradê de emoções, em tons cada vez mais cinzas.
Dentro das minha possibilidades tenho sido forte, o bastante para não desabar na frente de quem não conhece nem o meu superficial, quanto mais o meu interior.
"Tem gente que pensa que eu me acho, e nem imagina que
eu me perco sempre"... E me perco em mim, dentro desse interior machucado que poucos conhecem, me afogo nas lágrimas trancadas a sete chaves, no escuro das negações que eu deveria ter dado, mas sei lá por que disse sim.... Ah, SIM, esse tal de SIM é que me acaba, tenho que deixa-lo de lado e aprender a dizer não. NÃO!! -"Não vou fazer!" - "Não quero ir!"
Quando eu era criança era tudo tão mais fácil, eu dizia:
-"NÃO!"
E pronto, ninguém questionava.
mas agora saio dizendo SIM, e acham que sou besta, que não vejo as coisas, que não escuto os buchichos. Estou cansada de tentar ajudar e ser derrubada, sugam de mim depois simplesmente jogam fora... Dou uma mão, levam-me toda a energia, e no final eu não presto. CANSEI DE AJUDAR QUEM SÓ ME QUER VER PELAS COSTAS.
"Não, não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões, a única conclusão é morrer [...]
Ora, vão para o diabo sem mim, ou me deixem ir sozinha para o diabo.
Porque havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço, não gosto que me peguem no braço.
[...] não tardo, que eu nunca tardo.
E quando tardo a noite, o silêncio quero ser sozinho"

A árvore

Passei horas a observar a velha árvore, tão centenária quanto a casa de meus avós... 
E sempre jovem, sempre outra...
E sempre  a mesma...
Tão absurda, tão grande...
Somos todos tão medíocres.
O ser humano se acha tanto, o bom, o maximo, e ao menor problema desaba, e poucas vezes consegue se restabelecer... 
Mas pisar o outro é permitido, humilhar, denegrir, afinal "os fortes são arrogantes por natureza". 
Bobagem.
Quão forte é aquela árvore, e tão generosa... Gerações se embalaram em balanços presos a seus galhos, alguns com amarras tão fortes que não foi possível retirar e a corda se misturou a seus entrocamentos que cresciam, mas ela nunca deixou ninguém sem a doce brincadeira. 
À sombra de suas folhas muitas conversas, almoços, piquiniques, reuniões da família, ensaios do teatro, ensaios fotográficos...
Conversas demoradas com o vovô, as velhas histórias, as risadas...
E as estações mudam, as folhas se renovam... Para a gente é sempre  a mesma árvore, mas ela é sempre outra.