quarta-feira, 21 de maio de 2014
Jornada...
Não está sendo fácil encontrar o caminho, mas ninguém disse que seria, sempre ouvir dizer que viver é uma das coisas mais difíceis, que poucas pessoas conseguem de fato, a maioria apenas segue a jornada, anda por essas trilhas que se formam nos terrenos incertos do andante, dão passos e vão, sem saber direito onde querem chegar. Bom, se não se sabe onde se quer chegar, qualquer lugar serve. Mas esse tipo de viagem não me agrada, não sou aquela que planeja milimetricamente cada passo, mas no mínimo destaco meus objetivos e traço metas para chegar lá...
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Dias de outono
Tenho passado por tantas coisas, que nem sei mais onde me encontro, não tenho tido tempo para respirar e falar comigo, me observar, me compreender, entender minhas decisões, meus medos, minhas necessidades mais urgentes. Tenho me perdido, como se nunca tivesse me encontrado...
Sabe aquele lugar especial onde você vai, senta, olha o horizonte, respira fundo e conversa por horas com seu interior?
Faz é dias que não sei onde fica isso, em pleno verão vivo dias de outono, trancada dentro do meu interior sem sair nem para cumprimentar o próprio reflexo no espelho. Não sei o que me prende, talvez seja o medo de ver que tudo aqui fora mudou de figura, já não sou hóspede de uma vida fácil no conforto do berço familiar, mas estou guia de meu próprio caminho no mundo, lançada as feras e como diz o poeta:
"O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera."
É, caro Augusto dos Anjos, talvez seja por não querer me tornar como o resto que me cerca, por querer desesperadamente preservar a minha humanidade que recuo e permaneço dentro deste meu mundo tão menos frio e calculista. As pessoas, pelo menos maioria que tenho conhecido, tornam-se cada dia mais caçadoras de oportunidades lucrativas, é um terrível jogo de interesses, onde se oferece "amor" em troca de muito ouro. "Ouro de tolo" como diria Raul...
Se alguém paga para ter outrem ao seu lado, pior se a pessoa recebe, aceita ser, digamos, "remunerada", recompensada materialmente para doar o que deveria ser gratuito entre as partes, na minha concepção tudo isso nada mais é do que um engodo, um total e desleal embuste, não chamo nem de falta de caráter, é falta de respeito próprio mesmo... E é por não ser capaz de tal, de me negativar, de usar outro como escada para alcançar meus objetivos, que vivo dias de outono em pleno verão...
Me escondo dos raios deste sol tão doente, desta ofuscante luz "do ouro de tolo", porque não sou fera, não sei ser fera, nem penso que preciso ser para chegar onde quero, posso até levar mais tempo que quem cavalga nas costas de quem tem mais grana para lhe bancar, mas chegarei de cabeça erguida, sem ter me vendido, manipulado, devorado, consumido, usado e abusado dos sentimentos ou montante de quem quer que seja.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Bagagens...
Andei me perguntando: "bagagens são realmente necessárias?" não falo de conhecimentos ou mala para viagem, falo de lembranças... E se querem saber, penso na real, que não precisamos levar tantas coisas, tantos retalhos, tantos recortes, tantas lembranças... Quem muito lembra pouco faz e muito sofre.
Foi pensando sobre essas coisas que notei, há certo tempo, que as pessoas, nós em geral, digo isto porque também me incluo neste processo, guardamos bagagens de mais, nos entulhamos de lembranças, guardamos em caixas, cadernos, álbuns, livros com poemas marcados, rabiscos em agendas, flores secas, todas as nossas recordações, todos os momentos que nos marcaram... E fazemos isso como se não guardássemos também na memória.
Somos tão apegados a nossa história que precisamos de uma matéria concreta, palpável para termos a certeza que nunca, em tempo algum, vamos esquecer aquilo que nos aconteceu e nos marcou. Não queremos largar o passado, mas planejamos o futuro como se fossemos magos capazes de traçar e prever tudo que irá nos acontecer, e em todo esse processo esquecemos o fundamental: viver o presente, contemplar o agora como se fosse o ultimo segundo de respiração disponível - o que realmente acontecerá em breve se continuarmos a poluir o planeta- esquecemos de contemplar o que a vida nos oferece agora, para choramos pelo que não fizemos, quando hoje for passado.
Agora te pergunto: para que fuzilar teu agora planejando um amanhã que talvez não chegue, remoendo um passado que não há quem mude?
Faz algum sentido para você? Porque para mim não faz nenhum. Mas não espere que depois de ler você terá uma subta coragem de rasgar as cartas, jogar fora toda a tranqueira guardada por anos, não. Você sentará com elas e lembrará e dirá a si mesmo que não tem coragem de se desfazer de sua história... Mas você não precisa acabar com tudo, só precisa fechar o ciclo, deixar o passado para trás e viver o teu agora. Lembre-se:planta-se hoje para colher amanhã.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Pense bem...
Meu nome é Lua Clara, tenho 23 anos, estudante universitária, artista apaixonada pelo que faz e descobrir a quatro semanas que tenho um câncer, você deve estar se perguntando:
-"E o que eu tenho com isso?"
Talvez de imediato nada, mas se você vive reclamando de tudo ou pelo menos não está contente com sua vida, ou ainda acha que o seu problema é o maior do mundo, então temos que conversar um pouco.
Eu também já fui assim...
Nasci prematura e por causa disso tive problemas respiratórios até os cinco anos de idade, passei maior parte da minha infância em um hospital, mas nunca deixei de ser uma criança levada e super sapeca, tenho até hoje cicatrizes das minhas aventuras, em especial tenho uma no queixo - um pequeno circulo, causado por um galho que atravessou até minha gengiva - costumo dizer que foi o meu primeiro piercing, e me divirto ao relembrar muitas travessuras... aos dez anos sofri um acidente de carro e fiquei inconsciente por dois dias, quebrei o braço em vários lugares, mas logo me recuperei.
Com onze anos descobri um tumor na face, era benigno e pode ser operado, mas fiquei cega por seis meses, tudo era estranho e extremamente assustador, depender de todos para tudo, inclusive para comer me irritava. Frescura? Experimente fechar os olhos e levar o garfo do prato até a boca...
Depois disso pensei que essa seri a última vez que passaria mais de uma noite em um hospital, até que machuquei as minhas costas no trapézio... ainda uso uma proteção, de vez em quando quando dói muito ou tenho consulta com o ortopedista, aquilo esquenta de mais.
Você agora deve estar dizendo que sou frágil ou quase podre, mas saiba que nada disso me abalou tanto quanto a morte prematura do meu pai e do meu noivo, essas perdas somadas a de amigos e de minhas avós são as cicatrizes que mais atormentam minha alma, porque não tem cura, nem tratamento, essas pessoas não vão voltar, e o que mais me dói é que enquanto eu me lamentava por probleminhas solucionáveis deixe passar a oportunidade de curtir ao máximo a presença delas na minha vida, deixei de dizer o quanto as amava, quão importantes eram para mim...
Hoje depois do diagnóstico, da certeza que tenho um câncer, não olhei pro céu e perguntei a Deus o porque isso comigo, ao contrario agradeci a oportunidade de crescer diante dessa provação, pelo menos já vivi muitas coisa -existem crianças que nasceram com essa doença e nunca viram nada além das paredes desse hospital - conheci pessoas e lugares maravilhosos, amei e fui amada, odiei e fui odiada, perdoei e fui perdoada, cresci...
Tenho Amigos maravilhosos e que ficaram furiosos em saber disso através desse e-mail, mas foi a melhor forma que encontrei de dizer-lhes: 'estou bem, já aceitei e estou fazendo a quimioterapia, agora depende de Deus o resto... Orem por mim. Amo todos vocês, e não lamentem, repensem o que estão fazendo de suas vidas antes que seja tarde...
Beijos a todos
Paz e Bem!!
19 de fevereiro de 2011...
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Dentro de minha suposta vida...
Faz tempo que não venho aqui, aliás não tenho indo a lugar algum...
Esse estado de interiorização, que há dias me tem tomado todo o tempo, me fez sucumbir a um espaço tão vasto dentro de meu ser, que nem eu me sabia existir. Nem sempre são lugares claros e bonitos, na verdade a maioria é bem feio e escuro.
Não caí garganta a dentro à procura de nada, somente quis me esconder, fugir de toda essa agonia que se alastra desenfreada fora de meu controle, esta díficil seguarar as rédias da vida, principalmente quando todos resolveram se tornar donos dela, da minha suposta vida. cada um se acha com mais direito de opinar e resolver, virei instituição pública e nem sabia.
Cada um fala e resolve coforme seu espeto, e eu preciso suprir a todos as necessidades, como se a minha suposta vida lhes fosse propriedade, como se lhes fosse um amoleto, ou mesmo privada, sim para uns penso que não passo de privada, eu e minha suposta vida, somos as receptoras de toda bosta fétida, e todas a excreção que seus corpos são capazes de fornecer.
E por que não reajo?
Ora, reaji joguei-me de garganta a dentro, sucumbi no mais profundo subsolo da minha suposta vida, e foi justamente ali no emaranhado de poracarias e sapos que já me fizeram engoli que percebi: nunca vivi por mim mesma, minha suposta vida fora sempre em função de outros, para salvar, cuidar, curar, formar, alimentar, afagar, amar, ensinar sobre a vida que eu nunca pude viver...
A minha suposta vida, nunca foi minha de verdade... E eu cansei disso, estou retomando as rédias da minha vida, e quem quieser opinar vai ver se eu estou na equina!
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