quinta-feira, 28 de março de 2013
sábado, 23 de março de 2013
Outono
Acordei um pouco menos cansada hoje, meu coração está leve, não há aquela sensação de fim, nem de começo ou recomeço, só me sinto bem para sair do quarto e ver o que há de novo no jardim...
Nem tinha me dado conta de que o outono chegou, e que a aurora se torna mais leve nesta época do ano, as folhas trazem o frescor do orvalho da noite anterior, por isso o ar fica mais fresco. O céu das sete da manhã de sábado estava claro, custou-me bom tempo para conseguir abrir os olhos sem sentir o incomodo da luminosidade intensa de um azul deslumbrante. Mas quando finalmente conseguir, pude contemplar a beleza dessa imensidão celeste adornada de poucas e belas nuvens brancas, tão alvas e delicadas como o algodão da minha caixa de curativos.
Fui sentar-me em baixo da árvore que fica do lado esquerdo do jardim, bem enfrente a janela do meu quarto, olha-la daqui é estranho, depois de tanto tempo trancada naquela minha redoma planejada nos mínimos detalhes, saí é como se eu estivesse traindo meu único companheiro de solidão... Aquela janela se tornou minha entrada para o mundo real, mas nunca a saída da minha clausura interior. Nem mesmo aqui fora consigo me libertar dessa sensação de solidão profunda, de não pertencimento.
E talvez seja isso mesmo, eu não pertenço a esse mundo, não falo do planeta, mas das formas de convivência, destes comportamentos todos que me causam medo e nojo, desta demasiada e frenética convivência social onde todos falam abertamente o que se passa em seus corações, e eu só consigo mostrar "a ponta do iceberg" o que está na superfíce, tão claro que nem precisava ser dito para ser notado. Mas há quem pense que me dou por inteiro, que falo do meu interior, numa entrega profunda e escancarada.
Chega ser engraçado ver gente se compadecendo de mim, como se estivesse vendo meu coração por inteiro e apenas viu um micro pedaço, que caiu por descuido de alguma ferida mal cicatrizada, se visse minha alma despida de sua armadura certamente não compreenderiam eu ainda sorrir de certas bobagens e ofensas, como se fosse piadas engraçadas, e não responder a altura de seus arroubos, não entenderiam que aprendi com o tempo que a melhor forma de tratar a ignorância é se valendo da cortesia.
Quando os golpes são profundos, pancadas pequenas já não doem tanto, por isso os lutadores de artes marciais forçam as pancadas nos seu treinos, para que fiquem resistentes no momento do combate. Por que então vou me incomodar com pequenas ofensas de quem pouco me conhece? E nesse momento de contemplação da minha janela pelo lado de fora, entendi que o motivo de me manter trancada é simplismente a paz que o silêncio me proporciona, não ter que responder aos "porquês" me dá a leveza de respirar sem forçar os pulmões.
Voltei para o quarto, sentei-me no peitoril da janela e comecei a escrever, desta vez contemplando a árvore onde comecei a refletir...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Janela aberta...
E do meu refugio feroz, ouvi o barulho do vento a bater na vidraça da janela, mais uma vez, no entanto tinha uma insistência maior desta, parecia querer entra. Levantei da cama e dei dois passos trêmulos em direção a janela. Parei... Estava chovendo, não uma chuva comum, havia qualquer coisa de luz naquela, um pouco de magia, algo que me chamava para fora...
Faz tanto tempo que não saio deste quarto escuro... Me aproximei da janela, e a luz me fez recuar, a claridade feria-me os olhos de fera acuada, a muito, em seu esconderijo negro e profundo. A porta e as janelas estão fechadas desde o último golpe sofrido, a luz nunca mais foi vista, desde a última visita, e isto faz muito tempo, só as feridas não perceberam isto... Só a dor continua aqui sem se despedir.
É estranho, mas a janela me chamava, mesmo sangrando quis tentar, poderia ser minha única chance de sair deste inferno sem luz... Então num impulso, quase que involuntário, abri a janela, o vento entrou tão voraz, me despindo, a chuva molhava meu corpo, cair de tão fraca, mas me deixei ser abraçada por aquela sensação de liberdade, de paixão, de amor...
Não sei ao certo por quanto tempo fiquei alí no chão, totalmente entregue ao vento, mas desde então a janela tem estado aberta, já não fico só na cama e a dor já não mora comigo, tem apenas me visitado as vezes, pra cutucar uma ferida ou outra mal cicatrizada, mas suas visitas tem sido cada vez menos frequentes... Espero um dia que a carícia do vento me encoraje a também abrir a porta e ir a seu encontro...
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Retalhos
Hoje acordei cedo, levantei tomei um banho demorado enquanto pensava se você já teria respondido o que te perguntei, se teria me dado o último retalho da tua personalidade confusa, ou apenas havia me deixado mais intrigada a seu respeito. Não havia questionado algo difícil de ser respondido, mas também sei que as vezes pergunto coisas complicadas para quem vive querendo parecer ser o que não é.
Curiosa liguei o computador, e para disparar do meu coração estava lá a sua resposta, curta e cruel como sempre, o retalho final, a certeza de que o alguém a quem amei era apenas uma fantasia minha, uma imagem perfeita de alguém apaixonado. As lágrimas foram inevitáveis, e para surpresa minha, eu, que jurei nunca mais derramar por você um sopro de sentimento, estava aos prantos. Não conseguia parar, por mais esforço que fizesse... Desliguei de subito o aparelho, me joguei na cama e tentei sufocar o peito dilacerado.
Como dói remontar feridas em cicatrizes antigas, mas eu tinha que perguntar, ou morreria na dúvida de suas palavras confusas, de suas declarações de um amor que nunca existiu em você, precisava da certeza para seguir minha vida, fechar esse ciclo e partir para uma página nova, um novo amor, quem sabe? Tudo é possivél quando se está livre, leve. Disponível.
O que sei, é que mais uma vez você se mostrou incapaz de cuidar de mim, de ter qualquer tipo de sentimento, provou o quanto é seco e sem amor, lamentei ter um dia atravesado a calçada e ido ao teu encontro... Retalhos, lembraças espalhadas, é o que resta de um sentimento tão puro que alimentei por ti.
Vou seguir descalça, leve, sem culpa... vou me aventurar errante por aí, e se eu quebrar a cara não finja que se importa, não precisa. Eu sei bem cuidar de mim. Você foi lição suficiente.
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| imagem do blog "Reflexões que não levam a lugar nenhum." |
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