Etiquetas a mostra
Etiquetas a mostra!!
[...] E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade, [...]Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Fui convidada por um grupo do colegiado de história da Facesb, do qual também faço parte, mas de uma outra turma, para ministrar uma oficina intitulada Estilo Afro, o grupo deixou claro que a intenção da citada oficina era falar de uma forma de moda alternativa, voltada diretamente para identidade afro não para os lançamentos da mídia.Confesso minha surpresa diante do pedido, já ministrei em vários lugares oficinas de moda, nas quais o que realmente acontecia não passava de um desfile ridículo, do qual também participava, de uma moda que não era minha, nem de ninguém alí presente, na verdade pouco ou nada tinha haver com a verdadeira identidade de cada um.
Nos deixamos levar por ela a mídia,mãe dos desolados sem capacidade de escolher se quer a cor que vai usar nesse verão, porque ainda não viu na TV o anuncio confortador dizendo que sua camiseta azul do ano passado vai estar em alta nesse também,claro que com alguns detalhes mais arrojados, umas firulas a mais, e é aí que começa a verdadeira lavagem cerebral, você fica eufórico, quer aquela bendita camiseta, que em média vai custar uns 100,00 R$. E tudo isso porque a TV disse que a sua esta fora de moda... E assim como Drummond relata em 'Eu etiqueta' nos vemos numa situação na qual, não somos um anúncio contratado, mas pagamos mimosamente para anunciar, para vender usando nosso próprio corpo.
Nossa identidade é corrompida por uma neorupropaganda, muito bem elaborada, gasta-se bilhões em propaganda, nosso cérebro é bombardeado todos os dias por um choque do marketing chamado CVBA - caracteristica, vantagem, beneficio, atração - essa técnica consiste em fomenta o mercado de venda de produtos, mas principalmente o da moda, já que a cada estação uma nova etiqueta é lançada, as estratégias de venda devem convencer o cliente que ele precisa ter a nova peça em seu guarda roupas.
Para tal, é preciso que o enunciado da propaganda ou merchandising apresente as características do produto da forma mais clara possível, evidenciando a beleza e importância do mesmo par o cootidiano, as vantagens que o ser humano pode ter ao adquirir tal produto geralmente buscam demonstrar o poder exercido pelo mesmo em facilitar a vida sexual ou monetária do individuo o colocando logo dentro de um contexto social almejado por muitos. O que logo é visto como benefícios, afinal todos querem parecer mais atraentes e bem sucedidos e por fim e não menos importante a atração...
O corpo é o responsável por esse tipo de propaganda ou merchan, por exemplo, na propaganda de cerveja sempre tem uma gostosona que da bola pro cara da gelada, na de carros, como 80% de seu consumidores são homens entre 19 e 45 anos, o garoto propaganda, sempre tratado como herói, consegue enfrentar os maiores desafios com o seu automóvel...Nas de roupas ou calçados da estação os personagens sempre vivem uma história picante, na qual o que mais importa é o fato de que estando na moda, todo mundo tem "pegada" - essa marca por sinal tem uma das neoropropagandas mais bem feitas da telinha, no caso da moda.
E no fim de tudo, pagamos pela propaganda na telinha, mas principalmente para mantermos as etiquetas a mostra, para não nos sentirmos desolados no meio de uma sociedade que diz ser correto, bonito e só o que dita a propaganda... Ah e se admitimos que nosso cabelo é Crespo assumimos nossa identidade, para ser aceito tem que alguém aparecer na aceitavélmídia usando cabelo de crioulo...
Chega de hipocrisia!
Sou negra, com orgulho da minha raça,
Adoro as batas de santo
Me visto pros orixas!
Deixo meu cabelo crioulo o vento experimenta
Me enfeito com as conchas do mar...
Gingo no samba... Me embalo na rede
Tenho na pele o cheiro do jasminseiro dedicado a
Yemanjá...
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