Um velho artesão, que trabalhavam com esculturas recortadas em papel, resolveu passar sua arte para um jovem aprendiz, suas peças eram muito valiosas e a forma que cada uma trazia era rica em pequenos detalhes que só poderiam ser percebidos se olhados bem de perto.
Entregou ao jovem uma forma de madeira, uma tesoura e um maço de papeis coloridos.
Depois lhe disse que deveria colocar a forma sobre o monte de papeis e então recontar as peças, todas de uma vez, para só então celessionar as que iria enriquecer com algum detalhe, mas sem afetar sua forma original.Entregou ao jovem uma forma de madeira, uma tesoura e um maço de papeis coloridos.
O jovem achou que o trabalho seria fácil. Fez logo os cortes com o molde, mas notou que muitas peças tinham arestas que precisavam ser podadas e empregou o seu tempo em tentar acertar ao máximo os pequenos defeitos que lhe incomodavam, não notava o jovem que ao fazê-lo destruía a originalidade das peças e acabava impondo uma forma totalmente diferente da que cada uma realmente era, sem perceber o pobre que na verdade quem precisava mudar era ele. Ao fim do dia sentia-se frustrado por não ter uma arte ao seu agrado e também por ter disperdissado tanto tempo com detalhes tão ínfimos.
Ao relatar para seu mestre o que tinha feito o velho sorriu e disse:
- Todos cometemos esse erro em algum momento de nossas vidas, sempre queremos mudar algo que já nos vem pronto, queremos ajustar tudo ao nosso jeito, meio e pensamento, sem perceber impomos o nosso "eu" diante, muitas vezes, do outro que amamos e acabamos por magoar, ferir sem remédio... Ou mesmo afastar de vez. Causamos cicatrizes tão profundas que fica complicado, até para os mais fortes se reencontrarem, impomos de tal maneira nossa presença que o "eu" do outro se torna uma aresta a ser podada e no fim temos um marionete desingonsado e sem valor, sem vontades próprias, totalmente nulo.
22/07/11 Noemy Reis
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