sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quando olho para trás e percebo o quanto tudo mudou, o quanto eu mudei... Em grande parte não porque eu quis, mas porque foi necessário, a vida exigiu de mim.
Físicamente, emocionalmente, já não sou a mesma, há um vazio enorme em meu peito, uma chaga que não quer parar de sangrar , um medo que não quer me abandonar... Medo de tudo, de sentir, de se doar, de querer amar e ser amada, medo de viver... E ter que abandonar a vida, porque derrepente ela resolveu ir embora com a morte... Já não tenho mais a mesma garra, a mesma pele, o mesmo cabelo, o mesmo olhar...
Ando na busca desenfreada, de alguém que fui e perdi, nem sei porquê... E a cada desencontro sofro a dor da despedida, não realizada de meu próprio ser.
Quando a algum tempo atrás me despedi daquele corpo inerte, sem brilho no olhar, nem o sorriso marcante, nem a doce voz a repetir rouca, meu nome ao pé do ouvido; um pedaço de mim também se foi, mas mesmo assim ainda reconhecia meu "eu", ainda havia vida em mim... Mas decidi naquele momento em  que a terra cobria minhas esperanças, e a chuva lavava minhas lágrimas, nunca mais deixar alguém entrar em meu coração...
Pobre de mim, com um coração tão palhaço cheio de artimanhas e mania de amar... Tempos depois conheci alguém, do outro lado da calçada, me apaixonei... Foi tudo tão lindo, tão intenso e tão vivo... Que mesmo tendo passado, pouco tempo depois, ainda me faz sentir, certas manhãs, o cheiro doce do amor...
E tudo isso ficou lá atrás, na outra vida que antes vivi, foi um sonho, talvez... Em que paz tão serena  a dormir, mas alguém me despertou, o céu estava feichado numa tempestade terrível, que dor sentir... Será que nunca mais vou sorrir? Será que um dia vou reencontrar meu "eu" em mim??
Quem dera me fosse permitido voltar a sonhar...

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